Ele não frequenta as colunas sociais e nem está no Facebook. Não faz média com ninguém e não corre atrás de publicidade. Seu único ofício é abrir o seu sushiya, pontualmente às 18h30, para servir um dos melhores sushis da cidade, e muito provavelmente do Brasil. Já cansou de trabalhar dois turnos e mantém uma estrutura muito pequena, para funcionar somente à noite. Apenas a esposa, e agora, um bom itamae assistente, Roberto Matsumura, que já atuou no balcão do Pub Kei. Assim é a casa do mestre Ryoichi Yoshida, chamada de Hamatyo, que significa algo como o chefe da praia. E como é de se supor, só serve sushi e sashimi.

A casa é silenciosa, e contrasta com o festivo Izakaya Matsu, que se instalou bem ao lado. Eles se complementam no cardápio, pois no vizinho não tem sushi.

O que Yoshida-san oferece é algo raro hoje em dia, pois as casas de sushi estão cada vez mais exuberantes com a profusão de ofertas de festivais e rodízios, onde impera a quantidade e quase nunca a qualidade.
A oferta de neta (os toppings de sushi) não é grande, mas o que está lá foi criteriosamente selecionado e preparado por Yoshida-san com o rigor de artesão. Aqui não tem culinária fusion. Tudo é autenticamente original.
Nesta visita, optamos por uma sequência de sushi moriawase-jo (superior), que corresponde ao nível intermediário, entre o nami (regular) e o tokujo(especial). A diferença está na quantidade e nos toppings.
A primeira surpresa é o sunomono, uma entradinha de lula, fatias de pepino curtidos em vinagre e açúcar, com gergelim branco. Alegre, leve, refrescante, deixa o nosso paladar saltitante para o que vem pela frente.

A primeira dupla que comparece à nossa frente é o akami de atum, a parte bem vermelha e magra do peixe. Bem cortado, fatias generosas e o arroz shari, na temperatura certa, morninho, que se espalha pelo céu da boca provocando a liberação do vinagre de arroz. Simplesmente, sensacional.

Logo chega o torô do dia, sozinho, uma pena, mas o comedimento é necessário para esta peça tão rara e especial.

O olho de boi chega ligeiramente grelhado na casca, com um punhado de gengibre ralado e cebolinha, que corta magistralmente a gordura do peixe, preservando porém, o seu sabor.

O próximo item é considerado o rei do sushi: engawa (barbatana de linguado). Crocante e fibrosa, é uma iguaria, pois de um linguado são extraídos apenas quatro barbatanas. Esta veio envolto com uma tira de shisô.

Em seguida, camarão, que não despertou tanta atenção. Uma pena não termos aqui o ama-ebi, camarão doce que é servido cru.

A próxima dupla foi composta de lula e salmão defumado, sim, uma especialidade da casa, que veio com uma pitada de yuzu, o cítrico da moda por aqui.

A última dupla escalada pelo itamae Roberto foi especialíssima, digna de fechar a noite com chave de ouro: um gunkan de uni (ouriço-do-mar), e um niguiri de hotate (vieira) ligeiramente chamuscada no maçarico. Os netas estavam bons, mas sentimos falta de uma flor de sal, ou um sal negro do Havaí, ou mesmo um sal rosa do Himalaia, que cairiam muito bem com o uni e o hotate.

Agora para finalizar mesmo, tekkamaki (hosomaki de atum), muito bem cortado e refrescante. Para ir descendo aos poucos à Terra.

Sugestões Jojoscope:
- Se quiser provar uma sequência completa de sushi, vá de Tokujo (superior). Custa R$ 190,00 e além da sequência acima, são incluídos sushi de ovas de capelim, ovas de salmão e anagô, a enguia do mar.
- Outra pedida interessante é o Tirashi (em versões de R$ 190,00/R$ 120,00/R$100,00). Numa cama de arroz shari, temperado com vinagre de arroz, é montada uma composição de fatias de peixes e frutos do mar, além da omelete dashimaki

Hamatyo – Av. Pedroso de Morais, 393 Pinheiros – São Paulo
Telefone – (11) 3813-1586 Recomendável reservar a partir das 16h30
Funciona somente à noite, de segunda a sábado: 18h30 às 23 h
Aceita cartões Amex, Diners, Mastercard e Visa