Restaurante Sato: PF nipo-brasileiro

Entrada do Restaurante Sato

No coração do bairro oriental da Liberdade, em São Paulo, funciona um boteco simples, com uma entrada tímida que passa despercebido por quem anda apressado pela rua Galvão Bueno. E convenhamos, exige até uma certa coragem subir os lances de escada: no acanhado hall de entrada, flores de plástico se esforçam para humanizar os banquinhos de espera de repartição pública. Na parede, o cardápio, em letras garrafais em fundo amarelo e letras vermelhas e pretas já dá o tom do local: prato feito à moda japonesa e brasileira. Pois tem yakissoba e curry ao lado de rabada, virado e feijoada. Cardápio como este, só aqui.  E há frequentadores assíduos de longos anos que atestam: a comida é prá lá de boa. “Pratos caseiros, como os feitos à moda antiga”.

Dona Lourdes Sato, de 70 anos, comanda o restaurante há décadas. Lá funcionava, há 50 anos, a Pensão Sato, que abrigava estudantes descendentes de japoneses que vinham do interior do Estado para estudar na capital. A pensão Sato era um porto seguro para eles: uma ótima localização, quartos aconchegantes e ambiente hospitaleiro, e principalmente: comida boa. A pensão se foi mas a comida ficou. Dona Lourdes Sato conta que muita gente famosa já foi comer lá. Desde o então governador Ademar de Barros, os ex-presidentes Jânio Quadros e mais recentemente, Fernando Henrique Cardoso e o Luiz Inácio Lula da Silva.

Deixando para trás as flores de plástico, acomoda-se em uma das poucas mesas de plástico branco para pensar no cardápio. Mas não se preocupe: é bem possível que a garçonete decida o que você vai comer. É confiar, não tem erro.

Estávamos em três, mas pedimos apenas dois pratos. Foi mais do que suficiente. As porções são generosas.

A generosa cumbuca de rabada, com arroz, feijão, salada, verduras fritas.

Um dos pratos é uma autêntica e brasileiríssima rabada, que vem em cumbuca, em um molho encorpado e delicioso. A rabada (R$ 18,90) derretia na boca de tão macia. O outro prato é uma criação nipo-brasileira: um contra-filé na chapa, temperado com missô (R$ 14,90). Umami turbinado. Acompanha arroz, salada, um tempurá de legumes, porção de feijão e pãozinho francês. Cafezinho de graça, mas você mesmo se serve na saída. E na saída, mais uma leitura atenta para os pratos do cardápio que ocupam a parede inteira. Afinal, onde mais em São Paulo é possível pedir um contra-filé à cavalo com fritas ou uma almôndega com batatas?

Contra-filé com missô: uma autêntica criação da culinária nipo-brasileira

Esse cantinho cheio de história merece mais visitas, mas já descobrimos o segredo dos seus pratos: eles são temperados com nostalgia.

Restaurante Sato:

Rua Galvão Bueno, 268 São Paulo SP Metrô Estação Liberdade. Tel: (011) 3208-8504

Funciona de segunda a sábado, apenas para almoço. Não aceita cartão de crédito.

 

 

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