Kiki Kirin, uma atriz de personalidade

Kiki Kirin (樹木 希林1 de janeiro de 1943 – 15 de setembro de 2018) foi uma daquelas atrizes de personalidade marcante, daquelas que, não importava o papel, pareciam estar sempre representando a si mesma. Nos seus últimos anos de vida teve sua atuação destacada participando de filmes de projeção internacional. Só com Koreeda Hirokazu foram  três filmes, incluindo seu último filme, “Manbiki Kazoku” (Assunto de Família), ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 2018. E com Kawase Naomi, em dois filmes de grande prestígio: “An” (Sabor da Vida) e “Hikari” (Esplendor), este último concorrente também à Palma de Ouro em Cannes.

 

Uma de suas últimas aparições públicas, este ano, na premiação da Palma de Ouro em Cannes, com o diretor Koreeda (esquerda) e o elenco do filme “Assunto de Família” foto: divulgação

Não era uma atriz excêntrica, mas autêntica, que não media palavras nem para comentar sobre a vida de seus colegas de trabalho, o que causar muitos embaraços no meio artístico. Foi casada com o roqueiro Uchida Yuya, com o qual mantinha uma relação distante, porém afetuosa. Viveram separados a partir do primeiro ano de casamento, mas após o diagnóstico de metástase, passaram a se encontrar com mais frequência. Este ano, como que prevendo sua morte, trabalhou incansavelmente em três longas metragens. Faleceu em sua casa, na madrugada do dia 15 de setembro, acompanhada por familiares. Sua filha, Uchida Yayako é atriz, escritora e cantora, casada com o ator e ex-cantor Motoki Masahiro (protagonista do premiado “Okuribito” (A Despedida).

Cartaz do filme “An” (Sabor da Vida), de Naomi Kawase.

Aqui um documentário sobre o dia a dia de Kirin, gravado em boa parte dentro de sua casa, no bairro de Shibuya, em Tokyo, em 2014. Ela era econômica, pouca mobília, e nada de supérfluos. Detestava novidades. Sua TV era de tubo, e ela mostra com orgulho. Começa a gravação mostrando a casa e limpando o chão com pano velho. “Adoro reaproveitar camisetas e meias, para limpar o chão. Sinto uma espécie de prazer em dar uma última vida a elas”. E termina com um profundo “muito, obrigada”.

Documentário em japonês apenas.

CLIQUE NA IMAGEM PARA ASSISTIR. O documentário tem duração de 1h35min.
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