Kyoto pra que te quero

A revista inglesa Wanderlust Travel Magazine elegeu a cidade de Kyoto como o melhor destino de viagem em 2018. Mais de 2.000 leitores da revista votaram na categoria cidades e 95,5% dos votos apontou para a cidade de Kyoto, que ficou à frente de Veneza, Sevilha, Budapeste, Dubrovnik, Moscou, Boston, Sidney, Luang Prabang e Vancouver, na lista dos Top 10.

Não muito conhecida pela maioria dos turistas, o Templo Daigoji impressiona pelo seu colorido, especialmente quando ele compõe o cenário de outono, como nesta foto. Não é muito fácil de se chegar de trem. Tem que ir de ônibus. Mas não é muito longe da estação Central de Kyoto.

O que faz dessa cidade ser tão querida dos estrangeiros? Primeiramente a tradição preservada em toda a cidade. São centenas de templos, jardins, santuários e alamedas, por onde é possível respirar a história do Japão. Mesmo com tantos turistas, é uma cidade relativamente tranquila para passear. É só evitar os períodos de alta estação e especialmente os feriados prolongados como o Golden Week em maio. Em segundo lugar, é um cidade muito acolhedora e amiga de turistas estrangeiros. É possível fazer uma rápida imersão em estúdios de tingimento de tecidos, como o shibori ou yuzen, aprender técnicas de embalagem furoshiki, assistir a um show de kimono, tudo em poucas horas. É impossível conhecer todos os patrimônios da cidade, tamanha a quantidade de monumentos que existem. Os arredores de Kyoto guardam ainda mais magias, como é o caso da cidade de Uji, que fica a 40 minutos da estação Central de Kyoto.

Saiba onde fica Kyoto. De Trem Bala Shinkansen, a partir de Tokyo, a viagem dura aproximadamente 3h25 min.

O empresário e restaurateur Marcelo Fernandes, consultado pela LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton SE sobre Top Destinos, deu dicas preciosas sobre Kyoto. Jojoscope revela todos eles na íntegra!

KYOTO POR MARCELO FERNANDES

O empresário e restaurateur Marcelo Fernandes, ativo viajante, conhece todas as partes do mundo. Só para o Japão foi mais de 15 vezes, sempre a trabalho ou a convite para palestras. Foto: Rafael Salvador

HOTÉIS:

Seizansô

Como todo ryokan (hotéis tradicionais ao estilo japonês), o quarto amplo só recebe almofadas futon para dormir, à noite. Durante o dia, ele fica assim.

Não fica na cidade de Kyoto mas é fácil chegar lá. É na cidade de Uji, e o passeio vale a pena. Famosa pelo seu chá verde, Uji foi também o berço de Contos de Guenji, escrita pela fidalga Murasaki Shikibu no século XI, e considerado o primeiro romance literário do mundo. Este ryokan (hotel em estilo japonês típico) fica à beira do rio Uji, de onde se avistam montanhas que ficam cobertas de cerejeiras em flor na primavera. Já no outono, a mesma montanha exibe paleta de cores amarela para vermelha intensas. Como todo ryokan, os quartos são de tatame, onde são estendidos à noite, confortáveis acolchoados para dormir. No térreo fica um enorme balneário de água quente. As refeições, sempre no melhor estilo kaiseki, trazem os melhores insumos da estação, preparadas com extremo requinte.

Um luxo é o café da manhã nos ryokan. Há conservas, receitas com tofu, cozidos, grelhados, algumas friturinhas, sopa, peixe e frutos do mar frescos, arroz e fruta. Foto cortesia do próprio hotel.

http://seizanso.com.br  Uji Ujitougawa 27-2

Kyoto Okura

Saguão imponente do Okura de Kyoto.

A mesma classe e padrão de excelência de sua matriz em Tokyo, localizada no tradicional bairro Kawaramachi, a poucos metros do Santuário Heian Jingu e do Palácio Sento Gosho. Os quartos são no estilo ocidental, mas oferece opção de café da manhã com cardápio japonês, o que é uma experiência imperdível. Tem um bar na cobertura, com vista fantástica para a cidade e o rio Kamo, que corta a cidade. Tem 6 restaurantes de nível internacional no hotel, como o Teppanyaki com vista para a cidade, mas o destaque é para um restaurante exclusivo retirado, que fica nas montanhas, onde é servido a autêntica cozinha de Kyoto, um slow food impressionante. Comodidade: tem serviço de traslado exclusivo do hotel partindo da estação central de Kyoto.

O bar na cobertura foi feito para apreciar esta vista fantástica da cidade à noite. Foto cortesia do próprio hotel.

http://okura.kyotohotel.co.jp/english/ Kawaramachi Oike Nakagyo-ku

BARES:

Sake Bar Yoramu

Pode parecer estranho indicar um sake bar de um judeu. Mas Yoram é um dos mais entende do assunto. É só seguir as recomendações dele, que não tem erro.

Bar especializado em saquê. O dono é um judeu, mas profundo conhecedor da bebida. Não há carta em inglês e você tem que seguir as recomendações do barman. Alguns dos rótulos tem mais de 20 anos.

Yoramu Sake Bar Nijo dori Nakagyo-ku Kyoto yoram@sakebar-yoramu.com

Touzan Bar

Bar classudo para um momento de tranquilidade em Kyoto.

Bar que fica dentro do classudo Hyatt Regency Kyoto. Decoração clássica, muita madeira, aconchegante. Tem uma seleção dos melhores whiskies, e cerveja artesanal produzida em Kyoto. Também da região, os 30 rótulos de saquê artesanal são excepcionais.

644-2 Sanjusangendo-mawari Higashiyama-ku Kyoto

RESTAURANTES:

Kitcho Arashiyama

O Kitcho original foi fundado em 1930, em Osaka. Esta filial em Kyoto é mais recente, mas não deixa de exalar o peso de sua história. Foto cortesia do restaurante.

A casa original fica em Osaka, e esta filial em Kyoto foi aberta em 1948. Trata-se um dos templos gastronômicos mais refinados do Japão. Gasta-se em média 420 dólares em um jantar, mas a experiência vale cada centavo. Oferece o autêntico kaiseki, uma refeição completa servida em várias etapas, com receitas que espelham a sazonalidade, executadas com esmeradas técnicas de preparo.

O kaiseki é uma refeição em sequência de vários tempos. Conservas, peixes frescos, grelhados, pratos à vapor, frituras, tudo feito em grau de excelência.

http://kyoto-kitcho.com/shoplist_en/arashiyama/

58 Sagatenryuji Susukinobabacho, Ukyō-ku, Kyoto, Kyoto Prefecture 616-8385

Daidokoro Ten’ya

A fachada despojada já denuncia: clima informal, comida barata e bem feita.Fica perto do Ponto-chô, onde com um pouquinho de sorte, você poderá ver gueixas andando pelas ruelas. 

Um izakaya contemporâneo e informal, com preços muito em conta. O diferencial é a grande variedade de comida, muitos deles finalizados no próprio balcão, como os espetinhos grelhados na brasa, que são servidos em fogareiros. Merecem destaque os ótimos tempura, que chegam à mesa sequinhos. Mas o forte da casa são os kushi-aguê, espetinhos fritos empanados. Tem de frutos do mar, legumes, cogumelos ou carnes. Outro atrativo é a localização, no coração do Ponto-cho, o bairro boêmio de Kyoto. Não é difícil trombar com uma gueixa toda paramentada por lá. Os saquês e shochus podem ser pedidos em taça, a preços muito convidativos.

Kushiague, uma receita que ainda não chegou no Brasil. São peixes, frutos do mar, legumes no espeto, envoltos com massa de tempura e fritos.

 

Kawaramachidori, Takoyakushi Hitosuji Agaru Higashi Iru, Nakagyo-ku, Kyoto 604-8022, Kyoto Prefecture Tel +81 75-212-8585

Yudofu Sagano

Fachada da tradicional casa de tofu, Sagano.

Imperdoável deixar Kyoto sem provar o seu típico tofu aveludado, conhecido como kinudofu.  Há dezenas de restaurantes especializados em tofu, muitos deles com uma ambientação zen, à beira dos rios que atravessam a cidade. É uma experiência única. Pode parecer um tanto monótono uma refeição toda constituída de tofu, mas é um engano. A cozinha vegetariana japonesa, conhecida como Shôjin Ryori, é riquíssima em sabor e texturas. O tofu se apresenta em várias versões, finalizando com o yudofu, o tofu em banho maria, servido com vários temperos. Um ritual.

Imagine um banquete constituído só com tofu ! Tem tofu fresco, sopa de tofu, tofu cremoso e não está na foto, as folhas da nata de tofu (yuba).

5 Susukinobana-cho, SagaTenryu-ji, Ukyo-ku

 

DICA SECRETA:

Há três patrimônios culturais em Kyoto que são abertos somente mediante reserva antecipada, com antecedência que pode chegar a anos. É o caso da Vila Imperial Katsura, o Palácio Shugakuin Rikyu e o Sento Gosho, todos eles complexos que foram utilizados pela Família Imperial em seus retiros de verão. O Japão tem uma política de hospitalidade para os estrangeiros e permite, desde que haja vaga no dia, o ingresso a estes patrimônios, sem reserva antecipada. Basta mostrar o passaporte e dizer que está de passagem, e não é residente na cidade. Esta dica é especialmente indicada para arquitetos, paisagistas e os curiosos para ver um complexo arquitetônico construído com a finalidade de abrigar a Família Imperial há séculos.

Vista de outono do paradisíaco jardim Shugakuin, um dos patrimônios que estão fechados à visitação pública, mas que turistas estrangeiros conseguem ter acesso mais fácil.

 

 

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