O Universo Nô e Kyoguen

SESC PINHEIROS RECEBE APRESENTAÇÕES
DE TEATRO NÔ E KYOGUEN PARA CELEBRAR
OS 120 DO TRATADO DE AMIZADE BRASIL-JAPÃO  

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Dias 1º e 2 de julho de 2015

 Com mais de sete séculos de história, esses gêneros artísticos reúnem técnicas de canto, dança, poesia e música em narrativas que abrigam, de um lado, o ideal de beleza simbólica, e de outro retratam em tons burlescos a verdadeira essência da natureza humana

Cartaz do espetáculo, criação de Erika Kamogawa. Clique para ampliar.
Cartaz do espetáculo, criação de Erika Kamogawa. Clique para ampliar.

O Sesc Pinheiros recebe nos dias 1º e 2 de julho uma programação comemorativa pelos 120 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão: em ambas ocasiões, o público terá a rara oportunidade de assistir ao Teatro Nô e ao Kyoguen, gêneros artísticos que remontam às raízes da cultura oriental e serão apresentados em programa duplo no Teatro Paulo Autran.

Uma das manifestações teatrais mais antigas do Japão, o Teatro Nô mescla técnicas de canto, dança, poesia e música de forma refinada e simbólica, podendo por isto ser considerado a síntese da cultura do país. Reconhecido em 2001 pela Unesco como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, o gênero possui sete séculos de história – teve Zeami Motokiyo (1363-1443) como seu máximo codificador – e ainda hoje conserva uma estética cênica que transmite o máximo de significação com o mínimo de expressão.

Seus temas geralmente tomam por inspiração a literatura clássica ou passagens da história oriental, em montagens estruturadas em torno da música e da dança: o universo Nô é habitado por deuses, guerreiros e mulheres que vivem às voltas com os mistérios do espírito, tangenciando personalidades históricas e temas universais como a morte, o amor, o ódio, o ciúme, a espera e a efemeridade da vida. Um dos dramas de Nô mais conhecidos é Funa-Benkei”  (Benkei no barco), peça que compõe o programa a ser apresentado no Sesc Pinheiros.

Desenvolvido durante o período Muromachi (1337-1573), o Kyoguen diverge do Nô ao explorar contos da tradição popular japonesa e temas do cotidiano de pessoas comuns.  O gênero tradicionalmente traz como personagem principal um serviçal, chamado Taro Kaja, em enredos que evocam um humor delicado e divertido. O Kyoguen revela os defeitos do ser humano com comicidade: são constantes de seu universo intrigas entre marido e mulher, episódios transcorridos entre personagens espertos e ingênuos, além de conflitos entre patrões e empregados – este é o caso de Ne-Onguioku” (Cantando Deitado), que completa o programa comemorativo à assinatura, em 1895, entre o Brasil e o Japão, do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação.

No palco, 14 músicos e artistas pertencentes a diversas escolas e estilos de Nô e Kyoguen se revezarão para a apresentação das duas peças, sob liderança de Wakebayashi Michiharu, ator que também ministrará um workshop sobre técnicas de expressão no Sesc Pinheiros.

Sobre os atores e as máscaras

O Nô é também conhecido como Teatro de Máscara, tamanha a importância deste adereço em seu universo cênico. São registrados cerca de 60 tipos de máscaras, sempre esculpidas de forma engenhosa, para que diferentes feições possam ser transmitidas ao público dependendo do movimento do ator e do ângulo que se dá à máscara.

Mistério e magia nas máscaras do Nô
Mistério e magia nas máscaras do Nô

Existem quatro categorias de atores no Teatro Nô e Kyoguen: o shite (ator principal), o waki (ator coadjuvante), o hayashi (músico), e o ator kyoguen. O shite é o único ator que atua com máscara, e desempenha vários papéis. Podem ser guerreiros, os espíritos destes guerreiros, mulheres, deuses ou demônios. O ator waki apoia o shite, e não usa máscara. Pode fazer o papel de sacerdotes, monges, ou um samurai, mas sempre são personagens reais, que vivem.

Máscara usada na peça Funa-Ben
Máscara usada na peça Funa-Ben

Já a orquestra de nô (hayashi) é formada de quatro instrumentos musicais: tamboril pequeno (kotsuzumi), de som grave, que contrasta com o tamboril grande (otsuzumi ou okawa), de som agudo e quase metálico, uma flauta de bambu (nôkan) e um tambor de baquetas (taiko). O coro (jiuta) é composto de seis a dez elementos.

Sobre as peças

Em “Ne-onguioku” (Cantando Deitado), narrativa de Kyoguen de autoria desconhecida, o personagem Taro Kaja canta sob o efeito do álcool quando é convidado por seu patrão a cantar na sua frente. O serviçal não gosta nada da ideia e inventa desculpas para não atender ao pedido.

O ator de kyoguen, Ogasawara Tadashi em ação.
O ator de kyoguen, Ogasawara Tadashi em ação.

 “Funa-Benkei” (Benkei no Barco), história de Teatro Nô escrita por Kanze Kojiro Nobumitsu, é apresentada em duas partes, Tristeza de Shizuka e Luta contra o fantasma. Na primeira, os irmãos Yoshitsune e Yoritomo, do clã Guenji, vencem a guerra contra o clã Heike. Porém, por conta de um boato mentiroso, Yoritomo acredita que o irmão o esteja traindo. Por isso Yoshitsune foge numa viagem perigosa, que o obriga a separar-se de sua mulher, Shizuka. No trajeto da fuga marítma, desenvolvida na segunda parte, Yoshitsune é atacado durante pelo fantasma de Taira no Tomomori, samurai da família Heike morto pelo próprio Yoshitsune. Ao final, o fantasma vencido desaparece no branco das espumas das ondas.

Duas cenas de Funa-Benkei
Duas cenas de Funa-Benkei

Workshop de Teatro Nô

Workshop que propõe uma imersão pelas técnicas de expressão do Nô e do Kyoguen, com apresentação dos instrumentos musicais e da expressão vocal destes gêneros. Com o ator Wakebayashi Michiharu, com tradução consecutiva.

 

 Elenco

 Ne-Onguioku (Teatro Kyoguen)

Taro Kaja – Ogasawara Tadashi

Patrão – Izumi Shinya

 

FUNA-BENKEI (Teatro Nô)

Kokata –  Uzawa Hikaru

Shite – Wakebayashi Michiharu

Waki-  Hara Masaru

Tsure-  Hara Riku

Ai – Ogasawara Tadashi

Taiko (tambor) Taniguchi Masatoshi

Taiko (tambor grande) Inoue Keisuke

Kotsuzumi (tambor pequeno)  Furuta Tomohide

Fue (flauta) Sako Yasuhiro

Ji-utai (coro fundamental)

Takeda Hiroshi

Mikata Shizuka

Furuhashi Masakuni

Umeda Yoshihiro

SERVIÇO


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Teatro Nô: “Funa-Benkei” e Kyoguen: “Ne-onguioku”

Local: Teatro Paulo Autran

Data: 1 e 2 de julho (quarta e quinta, às 21h)

Duração: Kyoguen: Ne-Onguioku – 25 minutos/ Teatro Nô: Funa-Benkei: 75 minutos (sem intervalo)

Classificação: Livre

Ingressos: R$ 40,00 (inteira). R$ 20,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 12,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Ingressos à venda a partir de 23/6 (terça-feira, às 16h30) pelo portal www.sescsp.org.br e a partir de 24/6 (quarta-feira, às 17h30) nas bilheterias do SescSP. Venda limitada a quatro ingressos por pessoa. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.

Workshop Teatro Nô

Local: Teatro Paulo Autran

Data: 2 de julho (quinta, 17h às 18h30)

Classificação: 18 anos. Atividade dirigida a bailarinos e atores profissionais. Será ministrada em japonês pelo ator Wakebayashi Michiharu, com tradução consecutiva.
Inscrições: R$ 10,00 (inteira). R$ 5,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 3,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Inscrições a partir de 23/6 na Central de Atendimento (3º andar) do Sesc Pinheiros.
SESC PINHEIROS

Endereço: Rua Paes Leme, 195.

Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.

Tel.: 11 3095.9400.

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 22h; Sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h. Para atividades no Teatro Paulo Autran, preço único: R$ 6,00.

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