
Tão logo soube do incêndio que destruiu o auditório Simón Bolívar, do Memorial da América Latina, em São Paulo, onde está instalada a grande tapeçaria desenhada por Tomie Ohtake, a artista se disponibilizou em reconstituir a obra. Segundo Ricardo Ohtake, Tomie, que acabou de completar 100 anos de idade, lamentou o acidente, mas disse que está pronta para iniciar os trabalhos de reconstrução da peça. “Então, preciso começar a trabalhar”, teria dito ela a Ricardo.

A obra foi encomendada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, autor do projeto do Memorial da América Latina, a Tomie Ohtake em 1989, e ocupava mais de 70 metros de extensão por 10 metros de altura.
Segundo Ricardo Ohtake, Tomie tinha conservado o desenho original da tapeçaria, que servirá de referência para a reconstituição da grandiosa obra.

O legado artístico de Tomie Ohtake é tão amplo quanto o horizonte: vai desde gravuras, passa por grandes telas, chegando às esculturas, algumas móveis. Mas destaca-se uma extensão, que vai além desses suportes: a arte pública, aquela que está instalada na paisagem urbana, ocupando um espaço público, tornando sua arte mais democrática, visível e acessível. É nos projetos de arte pública que Tomie enfrenta seu desafio maior, harmonizando plasticidade com soluções estruturais. Assinar uma arte pública em Tokyo, aos 99 anos (veja aqui reportagem exclusiva), revela o vigor e o dinamismo desta grande Dama das Artes do Brasil, cuja obra não conhece mais fronteiras, nem geográficas nem estéticas.
Agora, com esta lição de atitude e comprometimento, ela demonstra que além dessas fronteiras, sua energia pode fazer renascer das cinzas obras perdidas. Como uma Fênix, Tomie Ohtake dá uma lição de positividade. Ela é uma Arte Pública em pessoa.