
Renascimento foi o tema escolhido por Fernanda Yamamoto para a coleção apresentada nesta SPFW que abre o ano. O Renascimento das pinturas clássicas, mas filtradas por um olhar de agora. Não o Renascimento de um passado distante, mas como o próprio nome diz, um período de transformações, uma referência para os novos tempos.
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A cartela de cores exigiu tons sóbrios, esmaecidos e curtidos pelo tempo, mas com o brilho próprio nos detalhes, potencializados pelo trabalho artesanal que sempre caracterizou o estilo de Fernanda. Comparado ao estilo Hello Kitty da coleção passada, Fernanda aparece mais madura e consistente, e não é propriamente devido ao tema, que convocou pinturas do século 15 e detalhes de tapeçarias da época, impregnados nos jacquards desenvolvidos com exclusividade pela Renauxview. Seu amadurecumento se deve à leveza com que compõe e recompõe estes elementos, por vezes de maneira óbvia, outras vezes reinterpretadas com inversão de cores. Os padrões de tapeçaria lembram formas abstratas, e portanto, contemporâneas e parecem brilhar, devido aos efeitos dos fios de lurex. As feltragens, que também foram recorrentes nas coleções anteriores ganham aplicação de um náilon especial, com acabamento plastificado, outra referência aos tempos atuais. Completam o repertório de materiais: tricoline, tecidos de alfaiataria, malha de poliéster com algodão desenvolvida pela Lunelli. Enfim, um bom arsenal de materiais para compor este Renascimento contemporâneo.
O destaque da coleção são as aplicações de pedraria navete e bordados de canutilho preto, que realçam as cores envelhecidas (que remetem às pinturas renascentistas) e os contrastes com as jacquards e malhas.
A proposta de Fernanda para a estação são as peças coordenáveis, de comprimentos variados, silhuetas secas, vazados geométricos. Coletes com capuz, camisas, calças e bustiês e a camiseta de jacquard.



















Crédito fotos do desfile: Agência Fotosite Namidia
Acessórios
O destaque para o inverno são os ankle boots, com salto de madeira e solado de borracha, assinados pela designer Adriana Pedroso, da Masqué.

Os cintos, lisos ou trançados são da Adô Atelier de Criação.

E claro, sempre coroando a parceria, comparecem os acessórios da designer de jóias, Rosely Kasumi. Para esta temporada, ela propõe broches feitos com espelhos, molduras e moedas antigas fundidas, também no espírito renascentista.
- Criação e estilo: Fernanda Yamamoto
- Assistente de Estilo: Fábio Martinusso
- Produção Executiva: Érica Daniels
- Styling: Daniel Ueda
- Make: Marcos Costa
- Trilha Sonora: Hisato
Colaboração nesta matéria: Nina Takahashi


O que disse a mídia:
O inverno 2012: Uma graça o desfile de Fernanda Yamamoto, que apresentou uma moda leve, jovem e, por que não, chic.Uma silhueta sequinha, trabalhada em uma cartela de cores um tanto austera (um pouco suja demais), fornece boas peças para um guarda-roupa urbano.
Não apenas pelo frescor com que monta os looks (no styling de Dani Ueda, algo entre Marni e Marc by Marc, com fofos gorrinhos na cabeça), mas também pelo interesse com a pesquisa de materiais. Emprestando olhar contemporâneo para temas do Renascimento, ela trabalha com um lurex prateado e jacquard com desenhos de tapeçaria rebordados. Numa abordagem mais esportiva, trabalha com o que ela chama de nylon artesanal, na verdade um acabamento plastificado sobre o feltro, numa combinação mais alegrinha de cores.
A melhor parte é do cinza-chumbo com bege, com bordados de canutilho preto. Rendeu ótimos casacos, capas e camisaria. Há uma variedade de saias tipo lápis, mas trabalhadas com tecidos diferentes que acabam criando outras formas. Boas calças ajustadas completam esta boa sorte de propostas da estilista. Bom, bom. (Glória Kalil, CHIC).
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Bianca Maria Sforza, uma das mulheres mais retratadas por artistas do período renascentista: foi daí que partiu a pesquisa pro desfile de Fernanda Yamamoto de outono-inverno 2012. Mas os retratos de Bianca, que foram reproduzidos em jacquard, não são o único mote da coleção, apesar do resultado interessante. Brilha ainda mais a estampa à tapeçaria com bordado de pedrarias navete, o canutilho preto, a feltragem agora com resultado menos artsy mais “vida real”, o náilon artesanal sobre o feltro plastificando a peça. Fernanda cresceu muito da última coleção pra cá: ela mantém o estranhamento da cartela de cor inusual, as inspirações surpreendentes e as experimentações técnicas mas inclui duas coisas. 1) Uma roupa que sai da passarela pro guarda-roupa da cliente com mais facilidade. 2) Um clima boyish que dá um charme todo especial pra moda dela, com muitas camisas, calças e shapes quadrados de camiseta e casaco. Grau cool: 100%. (Jorge Wakabara, para Lilian Pace)
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Mesmo com inspiração voltada para o Renascimento, Fernanda Yamamoto trouxe formas contemporâneas para a passarela. A estilista mostrou formas esportivas e amplas contrastando com delicados bordados que finalizavam algumas peças. Destaque para as camisas e calças com aplicação manual de pedrarias. Nas estampas, os quadros do século 15 foram modernizados com impressões metalizadas e tratamentos de feltragem. Nos calçados as ankle boots continuam pesadas e ganharam saltos anabela. Uma tendência também apresentada por Fernanda foi a utilização de capuzes, quebrando a imagem refinada de suas inspirações. (Victor Miranda, direto da Bienal, para Modismo)
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Fernanda Yamamoto traz para a passarela interpretação contemporânea das manifestações artísticas e culturais do Renascimento. Suas camisas e parcas são estampadas e lembram pinturas a óleo em tons austeros, sujos e envelhecidos da arte da época. Comprimentos variados, vazados geométricos, pouco volume, silhuetas marcadas com fendas e recortes misturando tecidos e os detalhes em paetê dão um ar de modernidade a coleção. Imagens também foram exploradas em formas nítidas ou abstratas. Gorete Milagres (48) e Raí (46) prestigiaram o desfile da primeira fila. (Caras, UOL)
