É hora do chá

A Ujinotsuyu Seicha tem sua sede na antiga capital do Japão, Kyoto. E traz para o mundo a excelência do chá verde, colhido na região de Uji, perto de Kyoto. É uma pequena cidade famosa pela qualidade de seu chá, e internacionalmente conhecida como o local onde Lady Murasaki Shikibu escreveu seu “Contos de Genji”, considerado um dos romances mais antigos da humanidade, escrito no início do século 11. A marca esteve presente no Pavilhão de Exposições do Anhembi, dentro da Feira Equipotel, no stando da JETRO. Veja matéria aqui.

A Ujinotsuyu

A empresa pertence ao grupo da Fukujuen de Kyoto, fundada em 1790. É a mais antiga e a mais tradicional produtora de chás japoneses. Dispõe de laboratórios próprios, efetua diversas análises e inspeções, contando com certificação ISO. Conta com os mais saborosos chás do Japão, com 220 anos de história e a mais avançada tecnologia e segurança. Exporta há mais de 150 anos, e hoje fornece os deliciosos chás do Japão para mais de 40 países.

Iyemon Chá Verde Instantâneo

Chá instantâneo, convertido em pó através de tecnologia exclusiva. Solúvel tanto em água fria quanto quente. Qualquer pessoa pode preparar um chá autêntico como os preparados em chaleiras orientais. Outra vantagem é que o preparo não gera resíduos. Oferecido também em embalagens práticas, tipo sticks, contém quantidade de chá exata para o preparo de uma xícara. Os chás verdes têm efeito antioxidante e são considerados benéficos para a saúde. Podem ser consumidos sem adoçar, ou adoçado a gosto. Não contém glúten.

Iyemon Chá tipo Sencha em saquinhos

O chá tipo japonês mais consumido no Japão é o Sencha. O seu blend inclui matchá, chá servido nas cerimônias do chá, com um verde vívido e excelente aroma. Não contém glúten

Sencha LTB 

Chá japonês em saquinhos com um preço econômico, sucesso de vendas também no exterior. Além do Sencha, temos também o Genmaicha, que combina chá verde com chá de arroz integral tostado, e o Hojicha, chá tostado. A apresentação em saquinhos permite apreciar chá japonês autêntico com praticidade e em qualquer lugar. Não contém glúten

 

Para saber mais sobre o chá e sua cultura, JOJOSCOPE recomenda dois livros.

  • O LIVRO DO CHÁ, de Kakuzo Okakura, editado pela Estação Liberdade
  • O CHÁ, de Cristina Ruiz, editado pela Biluma.

 

Abaixo uma resenha de O LIVRO DO CHÁ.

Belíssima e cuidadosa resenha de O LIVRO DO CHÁ, de Kakuzo Okakura, editado pela Estação Liberdade, escrita pelo jovem crítico baiano Henrique Wagner. Mais um subsídio importante para ser incorporado em nossos conhecimentos sobre o Universo do Chá.

 

Kakuzo Okakura escreveu, em 1906, o clássico O livro do chá, com o intuito de difundir a chanoyu – cerimônia do chá – no ocidente, razão porque o escreveu em inglês. Àquela época o Japão surpreendeu o mundo ao vencer a Rússia, usando um poderio naval desenvolvido em poucas décadas – Japão e Rússia entraram em guerra em 1904 e em 1905, disputando os territórios da Coréia e da Manchúria; essa foi considerada a primeira grande guerra do século XX. Okakura, entretanto, repreendeu os japoneses com a sua obra máxima, sugerindo a todos que sentassem para tomar uma xícara de chá, enquanto seus compatriotas tentavam ocidentalizar o país.

O livro de Okakura é poético, acima de tudo. As preleções se perdem em meio a frases que parecem versos feitos de flores de cerejeiras. Dividido em sete capítulos, chega ao ápice do lirismo no capítulo dedicado às flores. Abre-o do seguinte modo:

“No tremular cinzento de uma madrugada de primavera, quando pássaros sussurram em misteriosa cadência no arvoredo, você nunca sentiu que eles falam de flores aos companheiros?”

Okakura, nascido em 1862, morto em 1913, refere-se a uma flor como “fragrante silêncio”, e afirma que, ao oferecer a primeira guirlanda à sua amada, o homem primitivo transcendeu o bruto. Dessa forma, ainda segundo o autor, o homem bruto humanizou-se e se alçou acima das rudes necessidades da natureza. Penetrou o reino da arte quando percebeu o sutil uso do inútil.

Outro belo trecho do capítulo intitulado “Flores”:

“Na alegria e na tristeza, flores são nossas amigas constantes. Comemos, bebemos, cantamos, dançamos e flertamos com elas. Casamo-nos e batizamos com flores. Não ousamos morrer sem elas.”

O Livro do Chá, de natureza absolutamente icástica, apresenta ao ocidente o “chaísmo”: uma cerimônia em que tomar chá é o centro de uma atividade eminentemente mundana, e por isso mesmo espiritual – zen. Como toda cerimônia, obedece a preceitos estabelecidos desde o século XVI. O livro de Okakura lista esses preceitos, explicando-os de modo extremamente simples e poético, sempre, fazendo uso de imagens e comparações ricas em imaginação e humor, ainda que traga certa bílis em relação à postura do ocidente diante do oriente, o desrespeito daquele em relação a este. Okakura nos ensina que o chá era, a princípio, um remédio, e se transformou em bebida. Na China do século VIII, entrou para o campo da poesia como um entretenimento refinado. O século XV viu o Japão elevá-lo à categoria de religião estética, ou seja, à de chaísmo. O chaísmo é um culto que se fundamenta na veneração da beleza em meio à sordidez dos acontecimentos diários. É essencialmente a veneração do imperfeito – pensemos na sinfonia de Schubert A inacabada e na Nona, A grande, do mesmo compositor, chamada ironicamente A Inacabável, porque imensa e sem o encanto da anterior –, uma tentativa singela de conquistar o possível em meio a esta coisa impossível que conhecemos como vida. Não se trata de mero esteticismo, a filosofia do chá, uma vez que expressa integralmente a opinião japonesa a respeito do homem e da natureza. Representa o verdadeiro espírito da democracia oriental ao tornar todos os seus adeptos aristocratas do bom gosto.

Entre tantos excertos de alto nível poético, podemos encontrar o que se segue abaixo:

“No líquido ambarino contido em porcelana marfínea, o iniciado é capaz de tocar a doce reticência de Confúcio, a malícia de Lao-tsé e o aroma etéreo do próprio Sakyamuni.”

Mas é preciso lembrar, em nosso caso, o trabalho da tradutora, que vem se firmando como um dos mais respeitáveis nomes da tradução do japonês para o português, sobrinha do lendário escritor japonês Jun’ichiro Tanizaki – autor de As Irmãs Makioka e Diário de um velho louco –, Leiko Gotoda. Gotoda, licenciada em Inglês, vem trabalhando arduamente para a editora Estação Liberdade, traduzindo autores da estirpe de um Kawabata, o próprio Tanizaki e Eiji Yoshikawa – autor da imensa biografia de Musashi. O caso de O livro do chá, escrito em inglês por um japonês que estudava na Universidade de Tóquio, cujas aulas eram dadas em inglês por professores estrangeiros – Okakura serviu com freqüência de intérprete para os professores –, é incomum na trajetória de Gotoda como tradutora especializada em textos escritos em japonês. O resultado, a julgar pelas belas passagens do livro, não poderia ter sido mais cuidadoso e sensível.

Kakuzo Okakura dedica ainda um capítulo à constituição do aposento da cerimônia do chá – “o aposento do chá (sukiya) não tem a pretensão de ser nada mais que uma simples cabana, uma choça de palha, conforme a chamamos” –, e outro à influência do taoísmo e do zen na chanoyu, mais que o confucionismo. Entre os melhores momentos do livro, tal capítulo lembra, a quem já conhece algo dessas duas “filosofias”, toda a beleza e sabedoria do tao te king e dos textos de Chuang Tzu, dentre outros mestres do zen. E para quem não conhece nem uma coisa nem outra, o livro de Okakura acaba por se tornar uma isca perfeita, estímulo dos mais poderosos para um mergulho saudável nessas “doutrinas” de tamanha consistência prática e meditação.

Editado em 2008 aqui no Brasil, lido e cultuado por nomes como os de Martin Heidegger e Ezra Pound, o pequeno e delicado livro de Kakuzo Okakura é um exemplo do culto ao homem órfico e narcísico, ao homem contemplativo, em contraposição ao mundo corrido dos executivos e homens de negócios. E se há quem ache “coisa de somenos”, uma xícara de chá, o autor salienta:

“Mas quando consideramos quão pequena é afinal a xícara do prazer humano, quão rápido ela transborda de lágrimas, quão fácil se esgota em nossa sede insaciável por infinitude, deixando apenas borra, não deveríamos nos censurar por darmos tanta importância à xícara de chá”.

 

 

 

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