Naoki Otake assina o Nakka e leva o III Prêmio Casa Claudia

A assinatura de Naoki Otake virou grife em arquitetura com tantas premiações. Por duas vezes, ele foi vencedor no Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa. Em 2008, pelo restaurante Kinoshita, e em 2012, com o restaurante Toro.

O reconhecimento internacional veio com a premiação da Revista Wallpaper, para o Design Award 2013, na categoria Novos Restaurantes, para o projeto do Attimo. Veja aqui sobre a premiação da Wallpaper.

E agora, Naoki se consagra bicampeão no Prêmio Casa Claudia, conquistando o prêmio favoritos pela votação popular e também pelo júri especializado, para o projeto do recém inaugurado Nakka. No ano passado, ele já havia conquistado o mesmo prêmio, com o projeto do restaurante Kinoshita.

Arquiteto Naoki Otake recebendo o prêmio Casa Claudia, das mãos do ator e apresentador Dan Stulbach, em cerimônia realizada no Hotel Unique, em São Paulo (Foto: Fabio Duque)
Sobriedade e elegância contemporânea, aliando madeira e jogo de luzes. Foto: Lufe Gomes
Projeto de madeira executado pela Marcenaria Taniguchi. Foto: Lufe Gomes

Tivemos o privilégio de ser apresentado ao Nakka pelo próprio arquiteto. No dia da visita, tivemos a honrosa companhia do empresário e restaurateur Marcelo Fernandes, que em verdade, abriu as portas para Naoki se especializar na arquitetura de restaurantes. Foi através do convite de Fernandes que Naoki desenvolveu os projetos dos restaurantes Kinoshita, Clos de Tapas (eleito pelo revista Época como um dos restaurantes mais bonitos de São Paulo) e Attimo.

Roberto Nakamori (esq) nos apresenta a casa. Arquiteto Naoki, autor do projeto, e o empresário Marcelo Fernandes: no balcão

Fomos recebidos pelo sócio proprietário Roberto Nakamori, ele também arquiteto e ex-proprietário da extinta padaria gourmet Lelé do Cuca. Roberto se associou ao próprio filho, Rodrigo Rossi, que atua em advocacia. Naoki revela que o projeto saiu já na primeira reunião, e a obra durou apenas dois meses, um tempo recorde, considerando o acabamento e o fino trabalho com marcenaria. Aliás, as madeiras são destaque no projeto, obra da Marcenaria Taniguchi, colaborador fiel do arquiteto também em outros projetos.

Perspectiva do balcão de sushi (o melhor lugar para observar o processo de criação dos ótimos sushis de Régis Shiguematsu) e o salão Fotos: Lufe Gomes Clique para ampliar a foto.

O competente sushiman Regis Shiguematsu, juntamente com Hermes Takeda, são oriundos do Empório Santa Maria, de onde saíram outros sushiman que estão se revelando na praça. São eles que nos guiaram nesta degustação.

Para iniciar um missoshiru que nos encantou.  Aquela sopinha que em muitos restaurantes é servido apenas como ornamento,  aqui ele adquire status de encantamento.  Um caldo dashi bem tirado e profundo, um missô leve e sem ranço, e um shiitake grelhado fizeram toda a diferença para este início de sequência.

Missoshiru encantador e carpaccio com toque de pimenta coreana Fotos da degustação: Jo Takahashi

De entrada, carpaccio de robalo e salmão, no azeite trufado, limão e flor de sal. Refrescante, equilibrado. Com um toque especial de pimenta coreana, daquelas para fazer kimchi.

O atum selado vem ligeiramente tostado, o que lhe confere um ligeiro amargor. De topping, vários tipos de ovas e gengibre.

A grande surpresa foi o primeiro par de sushi. Atum (maguro), ligeiramente selado, com folha de shissô e ameixa umê em salmoura. Arroz shari de boa qualidade, cozimento equilibrado mas faltando um pouco do perfume do vinagre. Este par exigiu um pouquinho de shoyu, só na ponta, porque no centro temos a ameixa que pode reinar sozinho sem nenhum tempero complementar.

Detalhe: shoyu Kikkoman. Eles fazem questão e com razão. Com ingredientes frescos e selecionados, é um assassinato usar shoyu de categoria inferior.

O par seguinte foi de peixe serra (katsuo), maçaricado apenas de um lado, com topping de gengibre e cebolinha.

O pargo (tai) é apresentado maçaricado com yuzu ralado, o que dá uma fragrância especial.

Aqui resolvemos pedir os niguiris em unidade.

O polvo trufado veio tenro e macio, com uma pequena porção de ovas massago. Já temperado com flor de sal, não foi necessário complementar com shoyu.

O olho de boi (buri) estava perfeito. Corte preciso e muito frescor.

A vieira, embora não fosse a canadense, esta ótima, polvilhada com lascas de yuzu.

E por fim, um “meio-gunkan” de uni, com todo o frescor do mar, com uma lâmina de limão.

Deixamos os pratos quentes e as robatas para uma próxima visita.

De sobremesa, a panacota de umeshu. O licor de ameixa umeshu vem em gelatina sobre a panacota.

A proposta dos sushis do Nakka é diferente da linha tradicional. Ela carrega nos maçaricados e nos toques especiais, com flor de sal (especialmente o sal rosa do Himalaia) ou yuzu. Um sushi contemporâneo, sério, equilibrado.

Conta também  com as peças de cerâmica de Hideko Honma, tanto nos pratos quanto nos yunomi (canecas de chá). Aliás, ótimo chá verde para acompanhar, feito com precisão.

Para uma boa apreciação recomenda-se sentar-se no balcão, para observar o processo de criação dos sushis, feitos com tranquilidade e compenetração pela equipe comandada pelo sushiman Régis Shiguematsu.

Nakka  Rua Pedroso Alvarenga, 890 Itaim Bibi Telefone  (11) 2594-2577 São Paulo SP

Facebook do Nakka  Veja o mapinha aqui.

 

Fachada do Nakka: transparência com sobriedade. Foto: lufe Gomes

 

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