Arquitetura de comer

O arquiteto Naoki Otake acaba de faturar mais um prêmio. Ele é o vencedor do IX Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa de 2012. Em 2008, Naoki já havia conquistado o mesmo prêmio com o projeto para o Restaurante Kinoshita.

Desta vez, o projeto foi do Restaurante Toro. O arquiteto diz que foi um projeto muito simples, realizado com poucos recursos. A sua satisfação é dupla, porque além de ganhar o prêmio, ele comprova que é possível se fazer uma boa arquitetura com orçamento limitado.

Restaurante Toro: premiado como melhor projeto de arquitetura corporativa 2012. Clique para ampliar.
Arquiteto Naoki Otake: premiações confirmam a qualidade de seu olhar.

Aliás, a assinatura de Naoki Otake está por trás de um bom número de restaurantes que têm uma ambientação criativa, o que contribui para potencializar um momento agradável de degustação. Há quem diga que dá para fazer um roteiro gastronômico passando pelos restaurantes desenhados por Naoki Otake. Duvida? Então, olhe só. Dois dos restaurantes premiados este ano, pela Comer & Beber, da Revista Veja em São Paulo, foram projetados por Otake. O melhor japonês (Kinoshita) e o melhor espanhol (Clos de Tapas), quase vizinhos, na Vila Nova Conceição têm uma atmosfera que emana inspiração, iluminação criativa que valoriza os pratos, e interessante pesquisa de materiais. Você pode ver as matérias sobre a arquitetura destes restaurantes aqui (Kinoshita) e aqui (Clos de Tapas).

E lá no mesmo bairro, inaugurado em agosto, o Attimo, o novo templo gastronômico do chef Jefferson Rueda, que oferece uma culinária chamada de ítalo-caipira, também foi concebido por Otake. “Foi, na verdade, uma reforma: um sobrado projetado por  David Libeskind (que projetou o Conjunto Nacional na avenida Paulista) nos anos 50, com características modernistas e que foi transformado em restaurante, com novo programa que inclui uma cozinha de última geração, com equipamentos Electrolux, uma grelha Josper, um forno Molteni, todos trazidos da Itália, selecionados pelo chef Jefferson Rueda e o proprietário, o restaurateur Marcelo Fernandes”.

Entrada do Attimo: bar e área de espera são separados do salão principal por parede de cobogó. Foto: Lufe Gomes
Detalhe dos cobogós. Foto: Lufe Gomes
Transparência, leveza, elegância: a cor da arquitetura de Naoki Otake. Foto: Lufe Gomes

O salão principal, resguardando ainda algumas características da arquitetura residencial. Foto: Lufe Gomes

No salão de 360 metros quadrados, que abriga 81 lugares, ganha destaque a parede branca de cobogó, peças de cerâmica esmaltada vazadas, que separa o salão principal do agradável bar, com direito a espelho d’água. Já no andar superior, ficam uma adega envidraçada e um salão que acomoda quarenta pessoas, destinado a eventos ou almoços e jantares privados.

E nos Jardins, o restaurante Armanda é um misto de descontração, com ambiente arejado para os almoços executivos, mas que abre à noite também, com bar, com entrada independente.

Varanda do Armanda: com deck, ideal para um almoço refrescante Foto: Lufe Gomes
Bar, com imensa parede verde. Foto: Lufe Gomes

Bar com inspirada iluminação Foto: Lufe Gomes
A varanda é especialmente aconchegante e nos dias ensolarados, lá é lugar que se deve escolher. O pé direito alto dá fluidez ao espaço, enquanto madeira e vidro criam uma atmosfera até rústica no meio do burburinho dos Jardins. O painel do artista plástico chileno Enrique Rodriguez que enfeita uma das paredes do sub solo, perto do bar, está presente também no Clos de Tapas, e parece ser uma preferência do arquiteto. Também no bar, o destaque vai para as prateleiras de vidro, com uma iluminação especial.O Armanda tem uma proposta interessante de compostagem. Uma máquina recicladora automática de lixo orgânico instalada na cozinha recebe todas as sobras dos alimentos e transforma-as em pó seco, sem cheiro e parecido com pó de café, que é um potente adubo para plantas. O pó é doado a quem quiser levar.
Máquina de compostagem. À direita, o pó resultando num adubo para plantas.

Aliás, o Armanda tem o selo de Restaurante Sustentável. Além de reduzir o lixo orgânico, e transformá-lo diariamente em adubo, o restaurante ainda faz a coleta seletiva dos materiais recicláveis e conta com a coleta do seu óleo de cozinha, dando-lhe a destinação correta e tornando-se referência para todos os restaurantes.

Clos de Tapas: rua Domingos Fernandes, 548, Vila Nova Conceição, tel.  (11) 3045-2291
Armanda: Alameda Franca, 1368 – Jardins. São Paulo, SP tel. (11) 3061-1759
Attimo: Rua Diogo Jácome, 341, Vila Nova Conceição. tel. (11)5054-9999.
Kinoshita: Rua Jacques Félix, 405, Vila Nova Conceição. tel. (11) 3849-6940
Toro: Alameda dos Anapurus, 1430, Moema. tel. (11) 2386-6966

Veja todos os projetos desenvolvidos por Naoki Otake no site www.naokiotake.com.br desenvolvido pela EkoDesign&Interactive , responsável também pela reformulação visual do novo Jojoscope.

 

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