
Brasil, Japão, Estados Unidos. Ela é uma artista cross-culture por natureza. Transita por estas culturas como uma andorinha que flana por ventos sem fronteiras.
Por falar em fronteiras, Haikaa está derrubando as fronteiras da língua. Work of Art é mais do que uma música, é um projeto de abrangência global, onde Haikaa convoca a seu favor, a facilidade com diferentes linguas e canta em 20 idiomas. É um projeto desenvolvido por Haikaa, seu parceiro de composições, Mercuri e os produtores e músicos Ross e Michael Leitner Bradley.
Confira no video:
Já para este outono, Haikaa apresenta seu novo álbum, lançando de uma vez, nove novas canções, disponibilizadas pela internet.
Sua eclética formação, que vai da música erudita, passa pela bossa nova, entra na música folclórica japonesa min’yô, e o pop lhe permite essa desenvoltura que ultrapassa os gêneros, para falar de coisas muito universais.
“Heart to Heart” é uma canção inteiramente em japonês, com um desenho animado criado por Rodrigo Seiji Himoro and Rafael Nakahara Anzai. Música: Haikaa e Mio Ishihara | Interpretação: Haikaa, Michael Bradley and Ross Leitner
Haikaa deu uma entrevista exclusiva para Jojoscope. Acompanhem.
Haikaa: de onde vem esse nome?
Bem, no colegial, eu tinha uma “senpai” muito bacana que era mestiça de alemão com japonês. Ela se chamava Heike e eu gostava muito da sonoridade do nome dela. Anos mais tarde, quando eu quis escolher um nome artístico, me lembrei disto. Eu queria um nome artístico que fosse possível pronunciar em português, inglês e japonês e por isso troquei a grafia para Haikaa. Ao verificar o significado do nome em um dicionário japonês, descobri que “Haikaa” era a pronúncia japonesa para a palavra inglesa “hiker” que significa escalador. Como o meu sobrenome Yamamoto (山元) significa “base da montanha” decidi me tornar “Haikaa – aquela que chega ao topo”!!!
Por que escolheu os Estados Unidos para sua base neste momento de sua carreira?
Foi uma coincidência, poderia ter sido Tóquio ou São Paulo. Trabalhei com gente boa em vários lugares mas foi em Los Angeles que eu encontrei as minhas “almas gêmeas musicais”, meus produtores Ross Leitner e Michael Bradley. O Ross é pianista e o Michael é guitarrista e cantor, um é super teórico e o outro tem muito ‘feeling’. Essa combinação de personalidade, talento e extremo profissionalismo me encantou. Foi esse encontro que deu ao álbum “Work of Art” uma sonoridade bem pop e ao mesmo tempo cheia de nuances musicais.
Qual a sua formação musical?
Bem eu acho que estudo música desde que aprendi a falar. Adoro estudar, principalmente as coisas pelas quais me interesso, mas nunca considerei fazer uma faculdade de música. Eu sempre busquei encontrar bons professores, que entendessem as minhas necessidades e que pudessem me ensinar exatamente o que eu precisava. Para ser cantora, eu estudei canto lírico, jazz, popular, min`yo (canto folclórico japonês) e ainda fiz fonoaudiologia. Estudei também teoria musical e aprendi a tocar piano como instrumento de composição.
E esse seu dom de cantar em várias línguas, de onde vem? Em quantas línguas você canta Work of Art?
Eu tive sorte e trabalhei bastante também. Eu cresci ouvindo três idiomas foneticamente distintos, português, inglês e japonês. Por isso eu aprendi a ouvir e reproduzir muitos sons desde pequena. Depois, como musicista, tive que desenvolver a audição e treinei meu ouvido a distinguir, ainda mais, uma grande variedade de sons.Todos os dias, eu exercito meu aparelho fonatório (língua, lábios, maxilar), o que acaba me proporcionando uma certa dose de versatilidade . A canção Work of art eu já gravei em 20 idiomas diferentes e tem outros que já estão em andamento. Este projeto adquiriu vida própria e eu tento concilia-lo com minha carreira. Foi muito legal cantar em tantos idiomas diferentes, mas só foi possível com a ajuda de mais de 40 colaboradores espalhados pelo mundo. Antes das gravações, eu me preparei estudando muito cada uma das versões e ouvindo outras músicas pop em cada um dos idiomas. Depois pude contar com o carinho, a paciência e a dedicação dos letristas e dos “language coaches” que me ensinaram a pronúncia.
Você acha que com isso está fazendo uma espécie de World Music? Por que?
A canção “Work of Art” é uma música que celebra a auto-aceitação, a cooperação e a diversidade que resulta da singularidade de cada indivíduo. A idéia do projeto “Work of Art Global Project” é fazer dessa música um canal direto com o coração das pessoas, em qualquer lugar do planeta. Nesse aspecto acho que ela pode ser considerada World Music. Mas o mais importante pra mim é que as pessoas possam sentir que essa música fala sobre cada uma delas. Vou contar uma estória : quando cheguei a aldeia Guarani M´Bya para trabalhar na versão em guarani, o índio Karai Nhe´ery me recebeu e disse “Foi muito fácil fazer a versão em Guarani porque quando eu ouvi a música e li a letra, tive certeza que você escreveu essa música para mim”. Karai é o professor de português da aldeia, ele é albino e carinhosamente chamado de “Japonês Loiro” no mundo do homem branco. Acho que essa identificação com a música é o que pode torná-la uma World Music.
Qual o público que você pretende atingir?
Gosto de fazer música para as pessoas se apaixonarem por elas mesmas e se sentirem bem com isso. Acredito que o público do meu trabalho é sensível, acredita em amar o amor, tem uma atitude positiva, otimista e acredita na vida e num mundo melhor. Eu sou assim e procuro pôr em prática as coisas sobre as quais eu canto. Reservo sempre uma parte do meu tempo para projetos humanitários. Além do “Work of Art Global Project” ,este ano me dediquei a outros dois projetos bem bacanas. O “Heart to Heart Project” é um videoclip em desenho animado dedicado às ações da Unicef. A “PeacePage” é um projeto fotográfico que reune ONGs dos 7 continentes, todos contribuiram com uma foto que expressa a humanidade que todos nós compartilhamos. Acredito em ações que promovem a cooperação global, o multiculturalismo e a educação como instrumento de mudança para um mundo mais bonito e harmônico.
Diga-nos suas preferências musicais (não as que canta, mas os gêneros que te inspiram)
Eu me inspiro com todo tipo de música que fale diretamente com a minha alma. Pra mim vale tudo : pop, blues, clássico, folclórico, jazz ou sertanejo. Música boa é aquela que me transporta para um lugar onde eu me sinta bem. Mas gostaria de citar duas cantoras que me fizeram querer seguir com minha carreira, Kate Bush e Annie Haslam.
Como é o seu dia a dia aí em Los Angeles. Qual é o seu processo para compor, ensaiar. E agora, lançando Work of Art, quais são suas expectativas?
Estou muito focada na divulgação do “Work of art album”que já está a venda digitalmente no mundo todo. No momento, passo bastante tempo nas redes sociais, respondendo perguntas para entrevistas e claro, cantando, cantando muito que é o que eu mais gosto de fazer. Também estamos ensaiando para a gravação de mais alguns vídeos e acho que até o final do ano, eles já devem estar no ar.
No tempo que sobra… adoro praticar atividades físicas e cozinhar.
O processo de composição me traz muita realização. Gosto de dizer que é neste momento que eu me transformo em “alquimista”. No processo de criação, todos os sentimentos servem como matéria prima. Através da música, tudo pode se transformar em alguma outra coisa mais bonita, mais interessante e mais profunda. Todas as minhas músicas nascem a partir de um sentimento e então a melodia e a letra começam a ganhar forma. Uma das músicas que eu mais curti compor foi “Everything I know about love” que reflete bem essa alquimia. O processo de composição é pouco racional pra mim, o que manda é a inspiração. Toda vez que isso acontece é muito gratificante e eu sinto que ganhei um presente.
Uma mensagem para os leitores de Jojoscope.
Querido Leitor do Jojoscope, toda canção só se completa quando ela chega aos ouvidos do ouvinte, ou seja, aos seus ouvidos. Toda música que existe só tem sentido de ser, se chegar até você.
Aqui estão os links de tudo o que está na entrevista.
www.thehumanityproject.com/peacepage

