Sopros de outono: recital “Chikumeisha e Shen Kyomei – O Caminho dos Mestres”

Shen Ribeiro, um dos maiores instrumentistas de shakuhachi (flauta japonesa de bambu) será nomeado oficialmente como integrante da Associação Chikumeisha do Japão, um grupo de músicos profissionais, que atua na difusão da música de shakuhachi do estilo Kinko-ryu, desde 1921. A associação foi fundada por Yamaguchi Shiro e foi herdada por seu filho Yamaguchi Goro. Hoje, a Associação é mantida e administrada por seus discípulos. A Chikumeisha é hoje uma escola referência de shakuhachi, a começar por ajustes para aprimorar a afinação e timbre, até a tradição oral para ler e tocar as partituras de honkyoku (música original para shakuhachi). Propõe, por exemplo, que sem a oralidade é impossível interpretar e compreender o universo sonoro deste instrumento musical.

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O evento comemorativo acontece no dia 7 de junho, no Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera e é promovido pela Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, com apoio da Fundação Japão em São Paulo, Consulado Geral do Japão em São Paulo e Azuma Kirin.  Shen Ribeiro toca o  shakuhachi, uma flauta milenar japonesa, e estará acompanhado das convidadas especiais Utahito Kitahara e Utami Kitahara, ambas ao koto, um instrumento de 13 cordas, semelhante à cítara.

Shen Ribeiro (Shen Kyomei) é natural de Botucatu. Teve uma educação musical tradicional até 1987, quando partiu para o Japão onde permaneceu por muitos anos. Estudou shakuhachi e ingressou na Universidade de Belas Artes de Tóquio, tendo sido convidado a tocar para o Imperador do Japão. Tem seis CDs gravados, entre eles Brazilian Music for the Shakuhachi, projeto que uniu a flauta tradicional japonesa à música popular brasileira. Retornou ao Brasil em 2003, e  desde então é diretor do Estúdio Salaviva da Associação Cultural Cachuera!

Como concertista, vem se apresentando em salas do Brasil, Japão e Europa, interpretando um repertório que mescla temas clássicos, populares e tradicionais. Presidente da Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa, recebeu recentemente o título de Mestre Kyomei, da Associação Chikumeisha.

Alguns destaques do programa:

Sokaku Reibo – Honkyoku: esta peça tradicional do mestre Yamaguchi abre o programa com uma nova maneira de tocar. Com frases mais longas, exige do tocador muito controle de ar e da embocadura do instrumento, trazendo uma sensação de prolongamento do tempo. É música para esquecer um pouco a realidade e deixar que o som do shakuhachi sirva de ponte para um momento de vazio em nossas mentes. Peça de raiz Zen Budista, não possui o aspecto de música de concerto. Sua duração pode chegar a 30 minutos, razão pela qual não será tocada na íntegra. Vale lembrar que esta peça, tocada pelo próprio professor Yamaguchi, viaja no espaço sideral a bordo da Nave Voyager 1, lançada em 5 de setembro de 1977.

Veja um video antológico, com o mestre Yamaguchi Goro tocando Sokaku Reibo

Chidori no Kyoku, Yoshizawa Kengyo II: música do período Meiji (período em que o imperador Mutsuhito esteve no trono no Japão, de 1867 a 1912), considerada shinkyoku (nova música), foi uma das peças preferidas do professor Iwami, não só pela beleza da melodia, mas também do poema. Cantado, revela a imagem de pássaros voando, pedindo longevidade de até oito mil anos para deuses, árvores, flores, areia, mar e Natureza, inspirando até hoje os compositores japoneses. A composição é adequada para alunos que já possuem conhecimento de toda a escala e controle básico do instrumento. Apesar de média dificuldade, faz com que o aluno consiga se identificar e ter interesse em praticar a música de conjunto, que é porta de entrada para o Sankyoku, a música clássica de trio.

Haru no Umi, de Miyagi Michio, o grande compositor do período Showa, (correspondente ao reinado do Imperador Hirohito, de 1926 a 1989) mestre em koto, desenvolveu o shinkyoku moderno usando novas técnicas e criando o koto de sete cordas. Usando shakuhachi mais curto, ou seja, mais agudo, professor Miyagi compôs suas músicas utilizando a escala natural de cada instrumento. Com influência europeia, em essência traz o espírito do Japão moderno e tradicional, e composições de vários níveis de dificuldade. Traz para o aprendizado novas opções de repertório e formações musicais. Haru no Umi se tornou um ícone da música japonesa, trazendo ao mundo toda a poesia e força do shakuhachi e do koto. Nesta música, traz a imagem do mar de primavera, com o movimento das ondas se alternando entre mar revolto e calmaria.

Aqui Shen Ribeiro tocando Haru no Umi, com Tomoko Abe e Chieko Inoue ao koto.

 

Serviço

Concerto

“Chikumeisha e Shen Kyomei – O Caminho dos Mestres”, com Shen Ribeiro

Data:

7 de junho de 2014 (sábado) às 17 h

Local: Pavilhão Japonês, Parque do Ibirapuera Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 (próximo ao Planetário e ao Museu Afro Brasil)

Ingresso para acessar o Pavilhão Japonês:

  • Inteira: R$ 7,00
  • Meia-entrada: R$ 3,50  (estudante com carteirinha e crianças de 5 a 11 anos)
  • Entrada franca: menores de 5 anos e idosos acima de 65 anos

 

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