Osechi Ryôri: o banquete de Ano Novo

O Japão não tem tradição cristã, e o Natal é só pretexto comercial. É no Ano Novo que as famílias capricham no banquete. O Osechi Ryori é uma culinária essencialmente doméstica, já que praticamente todos os restaurantes e estabelecimentos fecham no início do ano.

Para ilustrar a passagem do ano, pedimos ao chef Shin Koike que produzisse um Osechi Ryori à moda japonesa, para o livro “A Cor do Sabor: A Culinária Afetiva de Shin Koike”. Ficou lindo. Uma pena que ele não ofereça em seus restaurantes.

O Osechi Ryori tem uma conotação religiosa, de oferenda aos deuses, desejando uma colheita fértil, paz e tranquilidade para a família e prosperidade aos filhos e descendentes.

Todos os alimentos que compõem o Osechi Ryori são acondicionados em sofisticadas caixas laqueadas, chamadas de Jûbako (caixas empilhadas). Aqui, são três caixas justapostas, cheias de iguarias.

As caixas, como ficam à disposição das visitas durantes alguns dias, não recebem ingredientes crus.

Na primeira caixa, o ichi-no-ju, vão pequenos aperitivos, que são saboreados com uma dose de sakê. Os mais comuns são kazunoko (ovas de arenque, que aqui na versão de Shin Koike receberam folhas de ouro, para dar uma conotação de celebração), o kuromame (soja preta), o kamaboko (uma massa de peixe, semelhante ao gefiltefish), a omelete doce, os tazukuri (filhotes de peixe caramelizado com açúcar, shoyu e mirin).

A segunda caixa, o ni-no-ju, recebe iguarias grelhadas. Peixe pargo e camarão são as estrelas dessa caixa. No entanto, o chef Shin Koike se permitiu aqui uma recriação: ele introduziu um filé de pirarucu grelhado e finas patias de picanha, enrolando aspargos ao molho de missô com maracujá, introduzindo assim elementos da culinária brasileira dentro de uma tradição tipicamente japonesa.

E para a terceira caixa, o san-no-ju, foram reservados os legumes cozidos em caldo dashi e shoyu. Entram kabocha (abóbora japonesa), inhame, cenoura, enormes cogumelos shiitake, gobô (bardana), renkon (raiz de lótus), konnyaku (uma gelatina firme feita de batata) e gengibre.

Fotos: Tatewaki Nio, especial para o livro A COR DO SABOR: A CULINARIA AFETIVA DE SHIN KOIKE (Editora Melhoramentos) Clique duas vezes nas fotos para ampliar

Adquira aqui, o livro A COR DO SABOR: A CULINÁRIA AFETIVA DE SHIN KOIKE, autografado pelo Chef Shin Koike e pelo autor. Clique no banner abaixo, ou escreva para  contato@docultural.com.br

 

0Shares