Kumi-Odori de Okinawa: tradição preservada

Depois do Teatro Nô e do Kabuki, chegou o momento de conhecer mais um patrimônio cultural intangível designado pela UNESCO: o Kumi Odori (組み踊り), da província de Okinawa, ao sul do Japão. Trata-se de uma manifestação artística que obteve este reconhecimento em 2010, devido à sua expressividade integrada à identidade local. Veja este video, produzido pela Traditional Kumiodori Preservation Society.

O Kumi Odori, ou “teatro clássico”, é um dos tesouros da criatividade humana e representa a singularidade e complexidade das artes clássicas de Okinawa, gestada no período de Ryukyu (琉球)e preservada até os dias atuais. Trata-se de uma oportunidade inédita para os brasileiros conhecerem esta manifestação, com dois atores conceituados, os professores Osamu Aka e Michihiko Kakazu.

O esplendor dos figurinos é outro destaque do Kumi Odori de Okinawa

O Kumi Odori, ou a “dança conjunta” leva esse nome por fundir diversas modalidades de arte – dança, música, canto – no sentido de criar um efeito dramático e teatral. Foi criado em 1719, por Tamagusuku Chokun, na corte de Ryukyu, para entreter os diplomatas chineses. Essa arte se caracteriza pelos movimentos lentos e circunspectos e sua complexidade está em sua contida simplicidade. Possui muitas semelhanças com o teatro No, mas ao invés do uso de máscara, as expressões faciais são minimizadas e a emoção é representada através dos movimentos da cabeça e da projeção dos olhos. A atenção com os detalhes dá ao Kumi Odori uma vivacidade controlada e refinada, sem a qual, a arte cessaria de nos dar a impressão desejada. Uma vez que o No lida com o pensamento budista e é permeado pela busca à iluminação, o Kumi Odori, numa vertente confucionista, procura a moderação.

Dramas épicos, comédias, dança e música se mesclam no Kumi Odori

O professor Aka, 40, é mestre em ryukyu buyou pela Tamagusukuryu Suisenkai e leciona na Universidade de Artes de Ryukyu. Dá cursos de Kumi Odori e é responsável pelas disciplinas de pesquisa em artes fora de Okinawa. Pela qualidade e extensão de seu currículo, foi condecorado pela Dento Kumi Odori Hozonkai (associação de preservação do Kumi Odori), como difusor (denshosha) do Kumi Odori, como coreógrafo e diretor das peças. O professor Michihiko Kakazu, 33, foi dançarino do espetáculo Ryukyu no Kaze, é professor de ryukyu buyou pela Miyagi Noozo Ryubu Kenkyujo e professor assistente da Universidade de Artes de Ryukyu. Seu trabalho é voltado, principalmente, para a elaboração de roteiro e direção de peças de Kumi Odori. Atua como divulgador desta arte, sendo também contratado pelo Teatro Nacional de Okinawa (Kokuritsu Gekijo) para trabalhar com formação de público para Kumi Odori. Ambos são formados por essa Universidade em Kumi Odori. Também participaram de diversos concursos de artes clássicas de Okinawa promovidos pelo jornal Ryukyu Shimpo: professor Aka, nas categorias sanshin, koto e buyou e, o professor Kakazu, em buyou e sanshin. Os dois professores participaram da novela Tempest, da NHK, e já se apresentaram em diversas partes da Europa, Ásia , Estados Unidos e, agora vêm ao Brasil, pela primeira vez.

Espetáculo de rara beleza, vindo diretamente de Okinawa em apresentação inédita no Brasil

Os professores vieram ao Brasil para ministrar workshops sobre Kumi Odori para o público brasileiro e descendentes da comunidade okinawana. Para fechar com chave de ouro esta estadia, eles apresentam dois espetáculos, Ryukyu no Hana e Okinawa no Nasake, cuja coordenação artística foi delegada ao professor nikkey de ryukyu buyou, Satoru Saito. O espetáculo Ryukyu no Hana, tem como foco o kumi odori, no qual serão  apresentadas três peças: Manzai Tekiuchi, Hitu Nusubitu e Momotaro. Manzai foi composta no século XVIII, por Tasato Chochoku, e tem como tema a vingança, lidando com as questões de lealdade e devoção. Hitu Nusubitu, O Ladrão de Pessoas, século XVIII. A última peça é uma versão em Kumi Odori da lenda japonesa do menino-pêssego, criada pelos professores Aka e Kakazu.

O Okinawa no Nasake trará um Uchinaa Shibai (teatro popular de Okinawa), Tumai Aaka, uma peça escrita nos anos 1910, conhecida como “Romeu e Julieta” de Okinawa. Os dois espetáculos também contarão com a participação especial das escolas de ryukyu buyou Tamagusukuryu Saito Satoru Ryubu Dojo e Shimabukuro Yoriko Ryubu Renjo.

Data: 26 de Agosto de 2012 (domingo) às 17 hs

Local: Associação Okinawa Kenjin do Brasil  Rua Tomas de Lima, 72 Liberdade – São Paulo

Presidente da comissão de organização: Harumi Goya .

Cada espetáculo terá duração de 2 horas e os convites poderão ser adquiridos em:

  •  Kohii – Café Rua da Glória, 326 (subsolo) – Bairro Liberdade Tel: (11)3203-0624
  • Mercearia  Nihonhin  Rua Juno, 125 Vila Carrão Tel: 2942-8096
  • INTERBAN  Turismo  Av. Paulista, 807 conj 319-320 Tel (11) 7829-5759

 

 

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