A autora e ilustradora de livros infantis Etsuko Watanabe nasceu em 1968, em Tóquio, Japão. Formou-se na Musashino Art University e estreou na literatura infantil em 2002, com Tchi-tchi et les chiffres. Hoje, com mais de sete títulos publicados, Etsuko ilustra revistas infantis e cria capas de CDs e DVDs. Vive em Estrasburgo, na França.
No Brasil, a editora Cosac Naify publicou Minhas Imagens do Japão, com o objetivo de marcar o ano em que o Brasil comemorou o centenário da imigração japonesa, em 2008, com tradução de Cássia Silveira, e posfácio de Jo Takahashi.
Mais que uma crônica da vida urbana no Japão contemporâneo, esse livrinho guarda a chave para compreendermos um fato muitas vezes esquecido: que, apesar das diferenças, somos todos, essencialmente, seres humanos. Não é pouco.
Quando os meios de comunicação e a Internet nos bombardeiam com toneladas de informações superficiais ou inúteis – em que podemos vislumbrar, quase sempre, generalizações injustas e perigosas -, as diferenças culturais passam mais a afastar do que aproximar as pessoas, transformando o outro, o estranho, no rival, no inimigo.
Como vive uma menina de sete anos no Japão? Nesse lugar tão longínquo – não apenas em termos geográficos -, o que há de diferente e de semelhante em relação a nós?
Para responder a essa pergunta, Etsuko Watanabe nos apresenta o Japão e seu povo: os utensílios do cotidiano, os objetos escolares, a vida em família. E como a mesa é posta, quais as vestimentas do dia-a-dia, algumas brincadeiras – as minúcias, enfim, que constroem uma civilização. Conhecemos também as palavras, com seus sons inesperados, às vezes surpreendentes, donas de uma eufonia para a qual precisamos reeducar nossos ouvidos.
(clique nas imagens para ver ampliado)
A beleza do estranho nos assalta em inúmeros trechos da obra. A autora não despreza sequer os aspectos da intimidade. A importância da hora do banho, os vasos sanitários – curiosos e eficazes – e os banhos públicos – uma característica dessa cultura que não submeteu a nudez humana ao arbítrio da absoluta privacidade: todo o engenho do conforto e da higiene de uma civilização está resumido nesse livrinho.
De repente, percebemos que não estamos distantes do Japão dos samurais, e é como se pudéssemos vislumbrar, sob cada gesto – principalmente sob os hábitos e a disciplina escolares -, o código de honra desses antigos guerreiros.
Nada é esquecido: das brincadeiras infantis às superstições, à busca da sorte e da ajuda dos deuses; as lendas e os costumes; as crenças pueris do povo e as festas que as materializam, comemorações que são marcos da passagem do tempo, cujas alegrias podem conceder uma nova força à vida banal, fragmentada entre o trabalho e as poucas horas de descanso.
Introdução a um mundo diverso do nosso, a obra de Watanabe oferece possibilidades quase infinitas de se trabalhar com as crianças, não só para diverti-las, mas também para mostrar como as diferenças, se quisermos, podem mais unir do que separar as pessoas. Sob o olhar imparcial de uma menina capaz de se encantar com as menores coisas, Minhas imagens do Japão descreve um povo cujas tradições e história engrandecem a espécie humana.
Minhas imagens do Japão
- Etsuko Watanabe (texto e ilustrações)
- Tradução de Cássia Silveira
- Posfácio de Jo Takahashi
- Editora CosacNaify
- 40 páginas
- Nas livrarias (preços variando de R$ 29,90 a R$ 37,00)
Yumi abre as portas do Japão.
A pequena viagem com Yumi revela-se tão saborosa quanto fatiar um bolo e descobrir suas diversas camadas coloridas.
São as camadas do dia a dia.
A casa, a escola, a cidade, as refeições, as festas.
Delicadamente, o universo íntimo de um país vai se descortinando.
Despretensiosamente, Yumi acaba nos mostrando uma cultura.
*
Minhas Imagens do Japão é quase um ensaio de antropologia cultural para crianças.
Mas tenho certeza que até os adultos vão se encantar com esta bela narrativa, onde texto e imagem se fundem no mesmo tom.
Jo Takahashi



