Nota de falecimento: Masakuni Yamaguchi

Um dos pioneiros na divulgação do Teatro Nô no Brasil, mestre Yamaguchi atuou até dezembro de 2019 nos palcos. 
 
Nascido em Nagano, em 1931, o engenheiro químico, senhor Masakuni Yamaguchi, chegou ao Brasil em 1961. Iniciou seus estudos de Youkyoku (canto de Nô) aos19 anos, ainda no Japão, no estilo Kanze. Ao se mudar para o Brasil, passou a integrar o pioneiro e histórico grupo Hakuyou Kai (fundado em 1939), onde começou a aprender shimai (bailado) e kotsuzumi (tamboril grave) com Eico Suzuki (estilo Hosho). Retornou várias vezes ao Japão para estudar hayashi (música de nô), transmitindo seus conhecimentos aos integrantes do Hakuyou Kai e também ao seu grupo, o Houyou Kai, sediado em Mogi das Cruzes. De 2013 a 2019, colaborou com vários artistas nikkeis, japoneses e brasileiros, interessados nesta tradição. Presidiu a Associação Brasileira de Nôgaku (ABN); em 2015, atores de grande excelência, vindos do Japão para uma memorável apresentação no Sesc Pinheiros, lhe renderam homenagem; colaborou também com o Grupo Yoroboshi Za, dirigido por Jun Ogasawara.  Esteve em plena atividade nos palcos até dezembro de 2019, aos 88 anos, em mais uma festa de celebração por seu lindo trabalho, sua música, seu canto, seus ensinos e pelos 70 anos de prática ininterrupta. Na ocasião foi homenageado com apresentações do grupo Houyo Kai, com o hayashi utai (música e canto de Nô) da peça Hachi no ki, do grupo Yoroboshi Za que apresentou o Han Nô (versão resumida) da peça Hagoromo, de Zeami. Além disso, foram apresentados trechos de peças clássicas de Nô, como o bailado de Funa-Benkei realizado por Ângela Nagai | Brasil International Noh Institute e Jun Ogasawara | Yoyo-kai, além do canto da peça Oimatsu. Mestre Yamaguchi faleceu no dia 23 de junho, com 88 anos. 
Sr. Masakuni Yamaguchi, sentado ao centro, juntamente com alguns membros da Associação Brasileira de Nôgaku. (foto: divulgação)
 
Ângela Nagai, atriz e pesquisadora de Nô, fundadora do Grupo Kinyou Kai e do Brasil International Noh Institute, que nos informou sobre o passamento comenta: “Nós, apreciadores da cultura japonesa no Brasil, agradecemos profundamente a este mestre que amou e se dedicou à arte Nô, ajudando a mantê-la viva no Brasil. Graças a este lastro, o Nô tem florescido neste país, seguindo o seu curso de geração em geração, rumo ao futuro. A Sra. Hiroko Yamaguchi, também uma grande cultivadora da arte Nô, continua sendo um grande exemplo da presença feminina, nesta tradição, no Brasil. Nossos mais profundos sentimentos de saudades, de admiração e de gratidão a Yamaguchi sensei” .

Mais sobre as apresentações de Imin-Nô:
O Nô dos Imigrantes – Imin-Nô
Teatro Nô em Dois Tempos 

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