Turma da Mônica Jovem: Choques Culturais

Turma da Mônica Jovem: Bem vindos ao Japão faz uma radiografia do complexo modo comportamental dos japoneses que muitas vezes intriga e impressiona os ocidentais em sua primeira viagem ao Japão. Cebola, Mônica, Magali e Cascão são recebidos pelos amiguinhos  Tikara e Keika em Tokyo, gozando o prêmio que conquistaram num concurso de redação. Tikara e Keika são nikkeis, nascidos no Brasil, e moram hoje no Japão, já completamente aculturados na lógica japonesa de comportamento social. Este na verdade, é o grande desapontamento da Turma, especialmente de Cebola, que não consegue reconhecer mais os traços da brasilidade em Tikara e Keika. Enquanto Cebola quer uma farra e não consegue esconder sua expansividade, a dupla nikkei faz o possível para que eles se contenham, e se enquadrem dentro do padrão de comportamento que preserva acima de tudo, a ordem dentro do coletivo.

Este é um dos pontos que realmente intrigam os ocidentais, particularmente os brasileiros, acostumados e até educados a serem diferentes o tempo todo, ter personalidade e originalidade em suas ações. No Japão, muitas vezes, ser diferente não é sinônimo de originalidade e no comportamento social, o que vale é respeitar a ordem e o senso comum, respeitando a privacidade do outro. Pode parecer chato ao brasileiro que gosta de transgredir normas, mas é assim que o país funciona lá, e bem.

Bom, não deu outra. Cebola arrasta Cascão para uma aventura solo, desgrudando da Turma. Mônica e Magali logo seguem o mesmo rumo, e obrigam Tikara e Keika a uma auto-avaliação e admitir sua mea culpa.

Passando por andanças no universo da cultura pop, que parece uma viagem para uma outra dimensão, a estória descamba para a aparição de um monstro-zilla, o que deixa claro, Cebola excitado e do jeito como ele queria. Mônica se transforma numa super-heroína e faz amizade com o monstro, mas a essa altura ele já tinha destruído a cidade. No final, todos se unem para um grande mutirão de reconstrução. Impossível não pensar no terremoto e no tsunami que assolou o Japão em março do ano passado e muito menos, a onda de coletividade que surpreendeu o mundo ocidental.

Para muito além de uma lição de moral, Maurício de Sousa impressiona mais uma vez, passando longe de estereótipos previsíveis, atingindo um ponto nevrálgico da psicologia dos dois povos, tão distantes e tão opostos, que por isso mesmo, poderiam se complementar mutuamente. Ao modo japonês, especialmente, cabe esta lição de que o jogo de cintura e uma flexibilidade nas relações profissionais vai fazer muito bem às rígidas condutas impostas no país, herança da cultura feudal. Essa margem irá permitir oxigenar as mentes burocráticas que, agora já divulgadas, culminaram na responsabilidade humana  pelo acidente das usinas nucleares em Fukushima e que poderiam ser evitadas se houvesse uma comunicação mais transparente entre técnicos e seus superiores.  À conduta brasileira cabe sempre lembrar que a ação coletiva é uma das importantes ferramentas para a construção de grandes projetos, e que nela, o exacerbado egocentrismo só atrapalha.

Turma da Mônica Jovem Bem vindos ao Japão | Panini Comics | Planet Manga | R$ 7,50 nas bancas

Tikara e Keika, quando foram criados, em 2008, como mascotes do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Hoje, crescidinhos, vivem no Japão.

Todos os desenhos:  Mauricio de Sousa Produções

 

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