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Ilha Grande abriga Festival de Cultura Japonesa em Julho

Não é muito difícil imaginar como ficaram os imigrantes vindos de Okinawa, quando chegaram a Ilha Grande, após se frustrarem em plantações de café no interior de São Paulo, ou de banana no litoral sul do Estado, na década de 1930. A paisagem lembra incrivelmente a terra de origem: suas águas de azul cobalto ou esverdeadas, mata verdejante e a companhia de tartarugas. Tudo conspirava para eles fixarem sua morada definitiva nessa ilha paradisíaca. Pescaram muita sardinha, montaram as primeiras fábricas de enlatados desse pescado no Brasil, produziam peixe seco para preparar os caldos dashi, indispensável na culinária japonesa. Mas as sardinhas foram rareando também por aqueles mares, e estes imigrantes abriram pequenas pousadas, que passaram a ser procuradas por turistas que para lá se dirigiam para mergulhar ou praticar ecoturismo.

Uma fatalidade ocorrida no réveillon de 2009 deu destaque a Ilha Grande, especialmente na Enseada do Bananal, em cuja encosta ocorreu um deslizamento provocado por intensa e atípica tempestade e que levou água abaixo uma das pousadas mais famosas e frequentadas da localidade. A tragédia comoveu o Brasil todo e deixou marcas no turismo local, que por um bom tempo, sofreu com as consequências de um noticiário tendencioso que focava mais na catástrofe e menos na sustentabilidade turística da região. Hoje, passado um ano e meio, tudo se restabelece, embora esteja ainda muito forte na memória da população, a perda de entes queridos na tragédia. O Festival de Cultura Japonesa, que acontece todos os anos em julho, quase foi cancelado no ano passado, mas a insistência dos organizadores prevaleceu. Afinal, era preciso levantar a moral para prosseguir com as atividades e ao mesmo tempo, render homenagens póstumas às vítimas da tragédia.

Jojoscope visitou o Festival do ano passado e pode constatar uma organização perfeita, um astral contagiante, potencializado pelas belezas naturais de tirar o fôlego. O então Cônsul Geral do Japão no Rio de Janeiro, sr. Yoshihiko Arakawa e sua esposa também estiveram presentes para prestigiar o evento e dar seu voto de solidariedade à iniciativa dos realizadores, liderados pela Associação das Pousadas da Enseada do Bananal (Apeb), com o apoio da Prefeitura de Angra dos Reis. O prefeito Tuca Jordão recebeu o cônsul geral.

Para o Festival deste ano, que acontece nos dias 22, 23 e 24 de Julho, a organização prepara ótimas surpresas. Como enfatiza a coordenadora geral do evento, a produtora cultural Amanda Hadama, “o festival se aprimora a cada ano,  com atrações culturais de alta qualidade”.

Grandes atrações que fizeram sucesso em São Paulo estarão por lá.

Mawaca: Ikebanas Musicais, o hit estará na Ilha Grande

O grupo Mawaca, que se apresentou recentemente no SESC Pinheiros, com o show Ikebanas Musicais estará lá, com toda a sua formação, abrindo a programação de sábado. Magda Pucci, a líder e fundadora do grupo não esconde sua expectativa de poder cantar na Ilha Grande. “Estamos felizes de poder reapresentar Ikebanas Musicais no Festival de Cultura japonesa! Tomara que o publico goste!” Veja aqui uma seleção de músicas do grupo Mawaca.

Camilo Carrara, Leticia Sekito, Tamie Kitahara e mais Shen Ribeiro formam o quarteto Camilo Carrara.

Outro importante músico que estará lá é o violonista Camilo Carrara, conhecido por suas pesquisas com a música japonesa e que participou no Sabadão Musical Jojoscope (veja aqui). Desta vez, ele se apresenta em quarteto, com o shakuhachi de Shen Ribeiro, o shamisen e koto de Tamie Kitahara e a dançarina Letícia Sekito, que ora está em cartaz em São Paulo com o novo espetáculo Flutuantes. Esta formação de quarteto foi um dos destaques apresentados na intensa programação da Semana da Cultura Japonesa nas comemorações do centenário da imigração japonesa, que aconteceu em junho de 2008, no Palácio de Convenções do Anhembi.

E a criançada ganha um presentão, com a apresentação da premiada Companhia Ópera na Mala, da dupla Cris Miguel e Sérgio Serrano. Levam para a Ilha duas peças novinhas que eles estrearam em junho no SESC Belenzinho, com o público pedindo sessões extras. Estas peças foram inspiradas na técnica japonesa do Kamishibai, ou teatrinho de papel. “O Buda e a Baleia” e “O Samurai e a Raposa” são as duas peças que serão apresentadas, com muito humor e inventividade.

Os tambores de Okinawa estarão presentes na Ilha Grande

E como o festival tem uma nítida coloração okinawana, não poderia deixar de apresentar um grande espetáculo da ilha mais musical do Japão. O grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, com 25 integrantes, traz a vibração dos tambores de Okinawa, e ainda por cima, são acompanhados pela dança Shishi Mai, um leão mitológico que invade a plateia e interage com o público.

Além das atrações no palco, muitas atividades e workshops para passar momentos inesquecíveis na Ilha.

Pipas de Ken Yamazato vão encher os céus da Ilha

O engenheiro de pipas Ken Yamazato vem ao festival ensinar crianças, jovens e adultos a arte de suas incríveis pipas – de coloridos e formas inacreditáveis. Ken é o atual recordista brasileiro de empinar “o maior trem de pipas”, sendo que seu último recorde foi batido em Londrina, em 1999, quando colocou no ar 3.344 papagaios em apenas uma linha.

O Festival preparou também workshops de mangá e caricatura.

A massagem shiatsu estará disponível durante o festival. E imaginem como é relaxar com a brisa e a luz, e o som das ondas neste lugar paradisíaco.

Comidinhas

Praça de Alimentação nota dez!!

O Festival é muito bem servido de iguarias deliciosas, preparadas com esmero pelas equipes de cozinha das pousadas da Enseada do Bananal. Destaque especial aos fresquíssimos camarões empanados e lula ao shoyu. Se o dia estiver frio, não hesite e experimente o autêntico sobá, um macarrão de trigo sarraceno, com o caldo dashi. E claro, as sensacionais caipirinhas de saquê, o drink da integração cultural nipo-brasileira.

Projeto Especial de Gastronomia

E já antecipando, a Dô Cultural, em parceria com a JB2S está dando os últimos retoques para um inusitado projeto gastronômico em Agosto.

Será o EATRIP Ilha Grande. A proposta é levar um chef famoso para a Ilha e lá promover experiências de degustação. O primeiro chef convidado é o premiado Shin Koike, chef e proprietário do Restaurante Aizomê, duas vezes premiado pela Revista Veja em São Paulo como o melhor da categoria. O evento acontecerá nos dias 6 e 7 de Agosto e mais detalhes você verá aqui no Jojoscope, no dia 13 de Julho, próxima quarta feira.

Será uma das experiências mais impressionantes e inovadoras em Gastronomia. Uma das refeições por exemplo, será oferecida em alto mar, numa embarcação, com peixes e frutos do mar retirados na hora da água.

Aguardem mais detalhes!

Para quem quiser pernoitar na Ilha, o site www.bananal.ilhagrande.org.br dá as dicas. Ainda há algumas vagas disponíveis. A travessia até a Ilha Grande é feita a partir do Cais de Santa Luzia, em Angra dos Reis,  em direção à Enseada do Bananal, com partidas constantes durante o Festival.

Veja aqui o teaser do último Festival.


Espetáculo pirotécnico em alto mar, fechando o Festival.
O simpático logo do Festival.
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