O recado da Arte

 

Foto: Mika Takahashi

Na entrevista para a Globonews do dia 17 de março último, Jo Takahashi destacou dois filmes que anteciparam a catástrofe nuclear. Nos dois filmes a mensagem era explícita: as nefastas consequências para a humanidade, que ainda não sabe lidar com a Natureza. Para quem quiser assistir à entrevista na Globo News clique aqui.

Vamos rever algumas cenas dos dois filmes e repensar o momento, e observar a função da arte, de manifestar a visão crítica frente a questões polêmicas.

Godzilla (「ゴジラ」)  é um filme da produtora Toho Company, lançado em 1954. Dirigido por Inoshiro Honda, este piloto gerou mais 28 longas-metragens com este monstro, que é a personificação do perigo de um acidente nuclear, e ganhou até um remake americano, dirigido por Rolland Emmerich. O Godzilla original é um resultado de uma explosão nuclear e evoca não só, o pânico que foi a bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki, mas também a preocupação com as experiências atômicas, e a escolha que o governo japonês fez pela energia nuclear. Godzilla acaba sendo muito atual neste momento, pois ele é uma mutação causada pela radiação atômica, o perigo eminente e atual, que está contaminando leite e espinafre colhidos em Fukushima.

 

Gojira (Godzilla)  |Toho 1954 | Dir: Inoshiro Honda

O outro filme que foi relatado é Sonhos ( 「夢」 ) dirigido por Akira Kurosawa (  ), e lançado em 1990. Trata-se de uma coletânea de oito episódios curtos, todos eles baseados em sonhos que o próprio Akira Kurosawa teria tido. O episódio em questão é “Monte Fuji em Vermelho”, mais pesadelo do que sonho. A multidão em pânico, correndo para escapar das radiações que emanam de uma usina atômica nas imediações do Monte Fuji, que acabara de explodir, tingindo o Monte de verfmelho, e fazendo derreter sua neve eterna. Um dos personagens é um cientista que deu cor aos vapores dos elementos radioativos, para ser mais facilmente identificável em caso de emanação. Providência sem utilidade neste momento. O cientista diz que “não precisa receber cartão de visitas da Morte”, e pula do penhasco para se redimir da culpa de ter criado um artifício tão hipócrita.

Yume (Dreams) | Toho 1990| Dir: Akira Kurosawa

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