Kenzo Sushi: a boa surpresa da Liberdade

Difícil de acreditar, mas trata-se do primeiro sushi-ya da Liberdade, o bairro oriental de São Paulo onde se concentram dezenas de restaurantes japoneses. É claro que há sushi na maioria dessas casas, mas ele é apenas mais um item misturado aos teishokus, yakissobas ou lámens do cardápio. E em geral, os sushis dos restaurantes japoneses parecem genéricos, só para constar. O Kenzo Sushi é pioneira como casa especializada exclusivamente de sushis no bairro, e já abre com uma missão: oferecer um sushi de excelência, com a seriedade e o rigor que o ofício requer. Jojoscope avalia a casa como uma dos melhores casas de sushi da cidade e, a boa surpresa, com um custo benefício muito em conta, bem longe das estratosféricas cifras que casas similares costumam cobrar. 

O main staff da casa. Foto: Rafael Salvador

A iniciativa coube a Takashi Okuno (75), cujo hobby é a pesca, que pratica há 45 anos. Okuno montou um time de jovens sushi shokunin (artesãos do sushi) para comandar o balcão e as filhas no salão para receber os clientes. A política da casa é clara: só entra peixe fresco, escolhido pelo senhor Okuno, todas as manhãs no Mercado Municipal, comprados em porções suficientes para o dia. Ou seja, nada sobra para o dia seguinte.

A parte mais importante do sushi é o shari (arroz temperado para sushi). A casa usa o arroz Koshihikari, da Tamaki Gold. Grãos curtos e qualificação máxima no Japão. Nota-se o brilho da umidade quando ele é esparramado na bacia hanguiri. O uso do vinagre Mitsukan faz toda a diferença no tempero. Por ser tudo tão precioso, o bolinho é moldado com muita leveza, pressão na medida exata, para que os grãos se espalhem na boca, liberando o aroma do excelente tempero. Por este raciocínio, os peixes, incrivelmente, são apenas coadjuvantes, embora mais vistosos.

O shari da casa: um arroz aerado, tempero equilibrado. Foto: Rafael Salvador

O chef Hiromitsu Konno preparou o combo Matsu composto por 14 peças e mais três pedaços de hossomaki de atum. Mas pedir as peças no balcão, em sequência, é mais divertido porque parece um ritual interativo.

O clássico niguiri de maguro (atum). Foto: Rafael Salvador
Niguiri de engawa, barbatana de linguado, uma especialidade da casa. Com uma folha de shisô por dentro e uma pitada de yuzu koshô por cima, a combinação fica perfeita Foto: Rafael Salvador
Niguiri de tai (pargo) maçaricado (a pele fica mais macia), com topping de momiji oroshi (nabo ralado com pimenta vermelha). Foto: Rafael Salvador
Trio de ouro, exibindo o ótimo shari, com o itamae Hiro (Hiromitsu Konno) ao centro. À esquerda Taiki Miyakawa e à direita Hiroaki Okabe, Foto: Rafael Salvador
Combo Matsu, com 14 peças mais 3 peças de tekkamaki. Este pratão é oferecido por R$ 120,00 (preço de junho de 2018) e você pode pedir no balcão, em sequência, e no seu ritmo. É muito mais divertido. Foto: Rafael Salvador

Há outras opções interessantes no enxuto cardápio. O tirashizushi, também com 14 peças de peixes, frutos do mar e ovas sobre uma cama de shari, é bastante atraente.

Muitos artistas frequentam o Kenzo. O cantor Ed Motta sempre, em suas apresentações em São Paulo. Eliana, quase toda semana está por lá. Aqui com uma das proprietárias, Tina Okuno (esquerda), e Julynha Toys, que virou assídua frequentadora, com chef Hiro ao fundo. (foto: arquivo pessoa Eliana).

Ah, quem é Kenzo? É o netinho do senhor Okuno, de 13 anos. Ele dá “expediente” nos finais de semana e é o mascotinho da casa.

KENZO SUSHI Rua Thomaz Gonzaga, 45F – Liberdade, São Paulo – Tel (11) 3132-3777
Funciona de domingo a domingo. 

 

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